Coluna de domingo, 17 de agosto de 2014

"TENHO 32 ANOS, ME CONSIDERO UMA MULHR BONITA, chamo atenção nos lugares que vou, entretanto tive uma serie de relações problemáticas. Apaixono-me facilmente e sofro. Depois de terminar um relacionamento conturbado conheci Marcos que também tinha terminado um relacionamento. Achei que ficaríamos juntos, me apaixonei rapidamente, porém aos poucos mostrou que não quer namorar. Saímos com certa frequência e sempre que nos encontramos em alguma festa ficamos juntos. Já fizemos uma viagem, tentei me afastar, inclusive indo ao exterior para ficar longe. Quando me afasto ele sempre acaba me procurando e eu acabo cedendo e voltando a sair. Não sei o que fazer, ele é legal, quando estamos juntos me trata muito bem, mas nosso relacionamento me deixa muito angustiada. Ele tem certo pavor de namoro, disse que já namorou muito e agora quer ficar sozinho, sinto que ele gosta de mim, e não sei o que fazer, insisto ou me afasto, mas tenho medo das duas opções. Sai com muitos caras, não me interesso por nenhum, às vezes acho que ele só vai me valorizar quando sentir que me perdeu...
Obrigada,
Andrea"


PRIMEIRO ENCONTRO PERFEITO, NUM RESTAURANTE clássico e romântico. Diálogo fácil, bastante humor e a dose certa de sedução permitiram que, no final da noite, ambos sentissem que algo novo e importante poderia mudar seus destinos. Um começo como qualquer outro, porém, aos poucos, Andrea foi percebendo que os interesses não eram simétricos. Marcos gostava dela apenas no tempo presente, omitindo qualquer plano futuro… Sem dúvida, um golpe duro.
Marcos, como muitos homens, não percebe as graves consequências de negar futuro a uma mulher apaixonada. Para elas uma relação sem futuro é vazia e frustrante e, mesmo que as paixões não sejam eternas e possam acabar sem aviso, é difícil tolerar uma relação sob constante ameaça de acabar.
É possível que o motivo desta atitude da parte do Marcos seja uma fobia, ou melhor, uma claustrofobia, que ataca homens que não querem perder sua liberdade de escolha, se comprometer com uma mulher supõe perder todas as outras, se sentem prisioneiros e por isso podem permanecer solteiros pelo resto das suas vidas. Outra possibilidade é que para Marcos, Andrea não seja a mulher dos seus sonhos e, por suas próprias fobias ou por falta de mérito da Andrea, o resultado final seja uma relação congelada, de encontros parciais e aleatórios.
Nesse instante se produz uma mudança cenográfica; a romântica mesa do restaurante, num passe de mágica, perde a toalha, pratos e talheres para se cobrir com um pano verde, enquanto desce do teto uma lâmpada e agora se mostra como típica mesa de jogo.
Os olhares sedutores se tornam desconfiados e ambos, com cartas nas mãos, analisam as jogadas. Vale pedir mais cartas ou blefar, os novos encontros são cuidadosamente contabilizados. Ganham ou perdem, porém deixaram de ser um “com” o outro, para passar a ser um “contra” o outro e, como em todo jogo de póquer, fingem não ter interesse, esperando a hora de aumentar as apostas ou desistir da rodada. Em encontros controlados cada palavra pode significar alguma mudança de posição. Infelizmente não há ganhadores. Devido ao seu desejo de ter Marcos, Andrea não percebe que, mesmo ganhando alguma partida, no final perde o jogo. Nunca vai convencê-lo de que ela é a melhor opção, porque no amor não vale duplicar a aposta, justo ao contrário, é preciso se retirar e esperar que Marcos, por iniciativa própria decida se oferecer de peito aberto. Se não fizer isso, Andrea deve se retirar, abandonando a mesa.
É um passo difícil e doloroso, porém estas são as regras… Quando numa relação a sedução acaba e começa o jogo, a única possibilidade de ganhar é não jogando. Daí vem a clássica frase: “Azar no jogo, sorte no amor…” O erro da Andrea, compreensível, sem dúvida, é esperar amor de um homem que a rejeita. Quando a mesa romântica vira e a toalha branca se torna verde é a hora de se retirar. É melhor entregar o jogo e esperar a hora certa de provar, com Marcos ou com outro homem ter mais sorte no amor…

Ainda em tempo: informo que estarei de férias nas próximas 3 semanas.